É assim... vê se mal as horas e acaba se a passar a noite no aeroporto de Torp na Noruega...
E logo este vôo que até tinha tido um preço fixe... no final acabou por ficar pelo dobro..
E assim se fica, deitado no banco, a tentar dormir.
Não, não consigo dormir. E não fosse esta internet gratuita, também já teria curtado os pulsos de tédio.
Lá esta, passou mais um minuto, faltam mais uns tantos.
Vejo me aqui as voltas, a pensar se hei-de penetrar o frio e ir la fora mais uma vez jogar lume à ponta de um cigarro. Não, já vou, vou escrever mais um bocado.
Olho a volta para a meia duzia de almas que por aqui também se passeiam, ou a espera do vôo ou a espera de alguém.
Perder um vôo é sempre um drama, perde se tempo, dinheiro... a paciência, uma verdadeira panóplia de más vibracões desnecessarias...
Nah... isto já não esta a fazer sentido...
Estou me a perder...
Já fui... escorreguei e caí... levanto-me... volto a cair...
Não consigo estar de pé...
Fogem os pés do chão e esborracho mais uma vez
A pedra do chão esta fria.
Volto a tentar levantar me... caio de novo e não percebo porquê
Estou aqui, caído, a pensar como o chão se tornou tão próximo de mim, e tão frio. quero calor...
Agora fecho os olhos, volto a abri los... está escuro a minha volta, estou deitado... como estava antes... mas a sensação agora é diferente.
Estou numa cama... não sei onde estou.
O cheiro que me envolve faz me concegas na memória... "eu conheco-te" penso...
Ainda não me mexi... não sei o que se passa... não sei onde estou... mas o perfume é intenso... e acarinha me...
Penso em mexer me... " se calhar não devo, talvez acabe"
Ansioso, mexo uma mão... toco em algo... assusto me e puxo a mão.
Volto a tentar, devagarinho, mais um pouco...
"Ehmm!!!" - inspiro com um susto...
Toco de novo em algo com a ponta dos dedos... algo macio...
Exploro mais um pouco e sinto o calor de um corpo... um corpo que está deitado ao meu lado...
Aqui sim, sei de onde vem o perfume que me seduz... é deste corpo... quente, que esta ao meu lado.
Arrisco mais um pouco... sinto as costas... os ombros... um braco... um pescoco... cabelo... uhm que perfume enebriante, passaria o resto da vida a sentir este perfume sem nunca me fartar...
Entrelaco os meus dedos nesse cabelo de alguém...
Mexo o corpo devagar e partilho o calor do outro corpo... quente... macio... pulsante... vivo...
Passo o meu braco por cima do outro braço que já lá estava, sinto a forma do corpo... quente...
Gozo de deste momento assim... o calor de um corpo... vivo... perfumado...
Com os olhos habituados ao escuro, vejo contornos...
O Sol ameaça uma luz por entre uns estores mal fechados...
Com a ponta do dedos começo a descobrir a cara por detrás dos cabelos... lentamente, para não acordar a dona do corpo que me aquece...
Quando o rosto se começa a mostrar vejo contornos meigos... que me trazem conforto...
De repente sinto me a cair... tudo está escuro de novo... e caio...
Bato seco num chão duro e poeirento... tenho uma luz forte sobre mim... ainda sem perceber o que se passa, comeco a ser sovado por todos os lados... não vejo nada... sombras mexem se freneticamente a minha volta... mas não distingo nada...
A única coisa que sinto para além da dor fisica é um sentimento forte de saudade... que aumenta com cada pancada que me é dada... e cresce me dentro sem fim... cresce... cresce...
Num sofrimento desesperado contraio o corpo na posicão fetal e fecho os olhos com forca...
De repente não sinto nada... abro os olhos a medo e vejo que estou encolhido no chão do aeroporto... sozinho...
Tento levantar me... devagar... com medo de cair...
Levanto me muito lentamente como que a descobrir cada movimento como novo...
Volto me a sentar em frente ao monitor...
Encerro a minha escrita....
Vou dormir
Em primeiro lugar um link de um amigo...
http://jbmota.blogspot.com/2007/10/nota-sobre.html
Elas os três... um vicio de dedo de uma escrita inacabada...
Um ideia demasiado complexa que é deixada aos outros acabar, uma comunicação interrompida, um beijo na boca que não espera resposta...
mais do que três pontinhos, uma ideia contida ou tímida ou escondida ou submersa...ou simplesmente uma ideia que não está só, mas que não sabe quem a acompanha.
um sentimento na ponta dos dedos que não se quer dar ao trabalho das teclas... um sentimento aberto, só isso e mais nada...